
Uma imagem da Dona Beth, minha mãe, feito por ela usando Inteligência Artificial e uma imagem atual.
Uma parte considerável das fotos e vídeos que circulam nas redes sociais está carregada de Photoshop, filtros e efeitos especiais. Muitas vezes, a imagem que aparece na tela não corresponde à pessoa como ela realmente é.
Na semana passada, uma influenciadora de estética na China perdeu cerca de 140 mil seguidores após uma falha técnica desativar seu filtro de beleza durante uma transmissão ao vivo. Por alguns segundos, o público viu o rosto real dela. A diferença era tão grande que parecia outra pessoa. O episódio virou assunto no mundo inteiro e levantou uma reflexão importante: até que ponto estamos vendo pessoas reais?

Filtro falhou por alguns segundos durante uma live, mostrando o rosto real da apresentadora (fonte: Youtube)
Essa prática não começou agora. Podemos dizer que tudo ganhou força nos anos 1990, quando revistas passaram a editar praticamente todas as fotos antes de publicá-las. Editores removiam cicatrizes, afinavam cinturas, aumentavam lábios, corrigiam cabelo e suavizavam rugas. Em um caso famoso, esqueceram até de recolocar o umbigo da modelo depois da edição. A imagem perfeita era construída no computador.
Com a chegada dos aplicativos e filtros nos anos 2010, qualquer pessoa passou a ter acesso a ferramentas que antes exigiam conhecimento técnico e horas de trabalho. Em poucos segundos, era possível aplicar maquiagem virtual, suavizar a pele ou alterar completamente o formato do rosto. Tudo com alguns toques na tela do celular.
Nos últimos anos, com a popularização da Inteligência Artificial, o cenário ficou ainda mais avançado. Hoje é possível rejuvenescer alguém digitalmente, modificar voz, criar vídeos realistas e até inventar uma pessoa do zero que fala, sorri e interage como se fosse verdadeira. Tudo isso simplesmente escrevendo comandos como “Afine minha cintura”, “coloque em uma praia paradisíaca” ou “troque meu carro por uma Ferrari”.
Isso pode ser usado para diversão, arte e criatividade. Mas também pode gerar comparação, frustração e até golpes.
Mas nem tudo é ruim
Ao mesmo tempo, a tecnologia também tem um lado bonito. Minha mãe, por exemplo, não teve muitas oportunidades de tirar fotos na juventude por questões financeiras. Hoje, aos 77 anos, uma das diversões dela é criar imagens com Inteligência Artificial vivendo situações que gostaria de ter registrado: andando a cavalo, indo a um baile de carnaval, vestindo roupas da época. Para ela, a tecnologia virou uma forma de resgatar memórias e sonhos.
Inclusive a foto que ilustra esse post foi ela quem fez através de uma foto dela mesma.
A grande questão não é demonizar os filtros ou a Inteligência Artificial. É entender que o que vemos na internet nem sempre representa a realidade.
E você? Já usou algum filtro ou editou uma foto?










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