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É justamente assim que muitos golpes começam.
Existe um tipo de golpe que não se apoia só em pressa ou ameaça. Ele cresce pela conquista da confiança e pela criação da sensação de que a vítima está diante de uma grande oportunidade. Em estudo sobre fraudes de investimento online, Matthew Anderson e colegas mostraram que a criação de uma relação de confiança é um elemento importante tanto em golpes mais longos quanto em golpes mais rápidos. Eles também apontam que golpistas usam comunicação constante, sinais de legitimidade e recursos tecnológicos para parecer confiáveis e fazer a vítima baixar a guarda.
A gente costuma imaginar o golpe como uma cena rápida: alguém aparece, fala algumas groselhas, pega o dinheiro e some. E muitos são assim mesmo. Mas outros são muito mais elaborados. O golpista se aproxima, parece prestativo, simpático, experiente, confiável. Aos poucos, ele cria um ambiente em que a vítima passa a acreditar nele e, junto com isso, começa a enxergar uma chance de ganhar dinheiro fácil ou de fazer um grande negócio. A própria pesquisa de Anderson destaca que, em golpes de investimento online, a confiança não surge por acaso: ela é construída para dar aparência de legitimidade à fraude.
É o caso clássico do golpe do bilhete premiado. O criminoso aparece com um suposto bilhete vencedor, diz que precisa de dinheiro com urgência e inventa uma desculpa para não sacar o prêmio. Depois propõe um acordo: a vítima compra aquele bilhete por uma quantia alta. O que ele faz ali é misturar duas coisas muito poderosas: confiança e promessa de vantagem. A vítima passa a acreditar na história e, ao mesmo tempo, é seduzida pela possibilidade de ganhar muito dinheiro.
Mas isso pode ser ainda mais sofisticado. Basta lembrar de esquemas como o golpe do avestruz, a Telexfree e tantas outras fraudes travestidas de investimento. Em geral, tudo vem embalado com aparência de negócio sério, promessa de retorno fora da realidade e relatos de pessoas que supostamente ganharam muito dinheiro. De novo, o mecanismo é o mesmo: primeiro o golpista conquista a confiança; depois, vende a fantasia do lucro fácil. Anderson e colegas observam justamente que essas fraudes dependem de fazer a vítima ver o esquema como legítimo e confiável.
Isso também já apareceu em outros formatos. O Procon-SP registrou reclamações sobre chamadas para programas de prêmios e afins, veiculados principalmente na televisão, que em sua grande maioria induziam o consumidor a realizar ligações caras, em serviço considerado similar ao antigo 0900, já tratado como abusivo no passado.
No fundo, todos esses golpes têm a mesma base. O golpista não quer apenas que a vítima entregue dinheiro. Antes disso, ele quer que ela acredite nele. Às vezes ele se apresenta como alguém experiente. Às vezes demonstra cuidado, simpatia, empatia ou preocupação. Outras vezes, oferece a ilusão de uma oportunidade rara, segura e muito lucrativa. E é justamente nessa mistura entre confiança e expectativa de vantagem que mora o perigo.








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